sábado, 11 de fevereiro de 2017

Quanto de livre há no livre arbítrio?

Como você experiencia “livre” arbítrio, ou liberdade, em geral? A maioria das pessoas fala sobre “livre” arbítrio, ignorando o contexto em que a pessoa vive quando vai exercê-lo. Mas “livre” arbítrio sempre tem muitas limitações.

Antes de tudo, dispensemos a separação entre mente e corpo. É uma dicotomia equivocada. A mente controla o que o corpo faz; o contato que a mente tem com o mundo é mediado pelo corpo, mas não é só isso. O que acontece com o corpo afeta a mente. O cérebro é mais um órgão, como o coração. Há cientistas discutindo como as bactérias no intestino nos afeta os sentimento e ideias. Pessoas têm hormônios, e hormônios as faz agir de uma maneira que é tanto “irracional” quanto previsível. Pessoas sentem dor, fome, frio calor &c. e tudo, até as cores do ambiente lhes afeta o que e como pensam, como experienciam o mundo. E ainda existe o muito que eu não vou dizer sobre instinto.

Não é apenas o que toca o corpo de alguém que lhe afeta as escolhas. Primeiro eu mencionei o ambiente como coisa física e imediata, mas há que considerar o ambiente geográfico, sociológico e histórico. A maior limitação naquilo que alguém escolhe são as opções disponíveis. Em vez de ler esta postagem que você escolheu, você poderia ler algo de Slavoj Žižek, mas isso só seria possível se você soubesse dele. Quando tudo o que uma pessoa conhece é guerra e raiva e abuso e morte, quem poderá condená-la por tornar-se um guerreiro sanguinário? Nossas escolhas não apenas afetam nosso passado como o que (podemos) esperar para o futuro. E se os que vivem de um lado esperam só mais abuso, arbitrariedade, desdém, não há como julgar-los por sentir raiva. E os do outro lado sabe disso; por isso vivem com medo e agem por esse medo. O que eu digo não os justifica, apenas os explica. Quando alguém vive numa situação precária, não pode simplesmente partir; não tem para onde ir.

Agora, vamos deixar esses extremos de lado, vamos pensar como pessoas como você, que não vivem como medo, na guerra, na penúria. Vocês podem se cuidar, mas dependem de outros. Ninguém é completamente independente. E o que alguém pode dizer para alguém de que se espera não ouvir? Falar mais alto, fazer algo para conseguir atenção, quebrar coisas, parar o trânsito, ficar de greve. Se alguém comete um crime por causa da situação, não ouse dizer que não merece as consequências de seus atos, pois escolheu o que fez. Com “livre” arbítrio, ainda que não muito livre; pense sobre isso.

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