domingo, 13 de novembro de 2016

Quando o vandalismo é justificado





Foi um surpresa quando soube que gastaram 37 mil reais para limpar o Monumento aos Bandeirantes que havia sido pichado de vermelho, azul e amarelo. Lastimável! A cidade já tem tanto cinza, era melhor ter deixado esse pouquinho de cor!

O Monumento aos Bandeirantes é uma coisa horrenda, pois, não só enaltece homens brutos que exploravam e oprimiam seus semelhantes, mas faz isso representando-os no ato mesmo de explorar e oprimir seus semelhantes. Vão dois bandeirantes à frente, sobre cavalos e atrás deles índios em posição secundária, formando um séquito de pessoas submissas, usurpadas do protagonismo em sua própria vida.

Os bandeirantes fazem parte da história de São Paulo e isso não pode ser mudado. Mas o que pode ser mudado é a relação que temos com essa parte da história, pois não há cabimento em enaltecer opressores, pois quem é enaltecido acaba servindo de exemplo e inspiração para as gerações atuais.

O problema de fazer homenagem a quem maltratava índios é que o genocídio dos índios ainda não acabou. Há autoridades neste país que não reconhecem os índios como seus semelhantes, como sujeitos detentores de direitos. Há autoridades que não reconhecem os índios como seres dotados de dignidade humana, só enxergam um empecilho ao progresso. O problema não está só em enaltecer os genocidas que são parte da história, mas é fazer isso enquanto se mantém os valores e as práticas coloniais. Enquanto se acha que o direito aos bens da natureza é só daqueles que a subordinam ao lucro, à inserção à máquina do capital.

Reconheço que ninguém tenha o direito de danificar o bem público, mas o erro começou com quem se achou no direito de tornar bem público algo que valoriza a opressão.

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