quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sobre a experiência de assistir a um festival

Festivais são oportunidades para ver várias bandas da maneira mais desconfortável possível. Eu falo a partir da minha experiência de ir ao Maximus Festival, mas não creio que os outros difiram muito.

O essencial de um festival é espremer tanto dinheiro quanto possível dos expectadores. Já começa com o preço do ingresso, que se aproxima do valor de meio salário mínimo, se a pessoa estiver disposta a todo o desconforto perto do palco (eu mesma estou). O valor supera um salário mínimo se a pessoa quiser toda a comodidade de um camarote (que no caso do Maximus, foi honestamente chamado de Lounge), comprando o ingresso pela internet e imprimindo em casa. Pela comodidade de não passar na fila do ingresso na dia do show, a pessoa tem que desembolsar um valor proporcional ao do ingresso, a que chamam taxa de conveniência --- pois obviamente, quem fica nos lugares mais caros tem uma conveniência proporcionalmente maior. Essa taxa é cobrada para receber o ingresso em casa, mas se a pessoa quiser contribuir com o meio ambiente e reduzir a pegada de carbono, terá que desembolsar um pouco mais, uma taxa de emissão de ingresso, que é um valor que cobram de você pelo privilégio de imprimir seu ingresso com sua própria impressora!

No dia do festival -- foi providencial que fossem shows de metal -- vista-se confortavelmente, pois, sendo um festival, o lugar é na PQP. Chegando lá, enfrente uma fila enorme e prepare-se para gastar ao menos R$ 12 por cerveja ou R$ 5 por um copo d'água. Não é à toa que sempre alguém passa mal num desses festivais. Nem ouse levar uma garrafa d'água, pois não são permitidas por motivos de segurança (dos lucros de alguém, eu suponho).

O problema dos preços altos é que as instalações nunca estão à altura. Esses festivais são propícios à proliferação de doenças --- não venéreas, mas do tipo causado por falta de instalações sanitárias. Os banheiros são químicos (Eu poderia dizer que isso é bom, pois economiza água, mas aí seria uma grande pollyannice, pois não haveria outros banheiros se não fossem os químicos). Um problema desses banheiros é que não têm pia para lavar as mãos; poderiam ter dispensadores de álcool, mas quem pensa no cliente? "O" problema desses banheiros é que não há papel higiênico --- de forma alguma. Nem adianta levar o seu, pois revistam todas as bolsas e mochilas na entrada, e se acharem o inominável produto, confiscam-no.

Daí que são inevitáveis as longas filas dos banheiros femininos. Mulher demora mais no banheiro numa situação dessas porque tem que se recompor do choque é a sujeira dentro dele; em seguida enfrenta o dilema entre fazer as necessidades ou aguentar apertada (até não aguentar). Vencida pelas limitações fisiológicas, enfrenta bravamente um de seus maiores desgostos da forma como puder para, por fim, deparar-se com o segundo choque, que é a falta de papel higiênico. Não seria exagero dizer que essas condições são mais um exemplo da opressão a que as mulheres estão submetidas pela cultura do patriarcado.

Por fim, pelo preço de um jantar de luxo, a pessoa vai ser tratada como se tivesse entrado de graça e ainda tivesse mais o que pagar, a ainda pode levar uma infecção de lembrança.

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