sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O problema com o conceito de "raças" de humano

Querida Papisa Santa Mariana a Única, Rainha do Mundo e Protetora dos Cães-verdadeiros

Que o caos esteja com você. 

O evento que me levou a escrever-lhe sobre esse assunto foi eu ter visto uma manchete da Folha de São Paulo online sobre um cientista que queria trazer de volta o conceito de raças de humano. Eu não li a matéria, nem sei o nome do cientista, nem os argumentos dele, mas me considero apto a falar sobre esse assunto assim mesmo. 

O primeiro motivo porque cientistas têm evitado o conceito de raças de humano é uma questão de responsabilidade social. Há que defenda que os cientistas sejam completamente irresponsáveis por como usam as pesquisas que fazem, mas essa visão não estende por todos os campos da ciência. De fato, a responsabilidade social dos cientistas foi o que levou a troca de terminologia de "idiota" para "débil", e de "débil" para "retardado", e de "retardado" para "excepcional", e daí para chegar em algo como "pessoa que precisa de acompanhamento especial no processo de aprendizagem", que finalmente é uma expressão que nem é um xingamento nem tem potencial de tornar-se um. 

No caso das macroetnias, porém, não bastaria uma mudança terminológica. O que me parece ser o maior erro na identificação e definição de raças de humano é afirmarem que haja tão-só três, apesar imensa disparidade genética e fenotípica entres os diversos grupos étnicos africanos formados de pessoas de pele escura. Essa disparidade põe em suspeita a universalidade qualquer estudo segmentado por três macroetnias que se limite a uma população dita "preta" que não represente a diversidade dos diversos povos africanos de pele escura. 

O grande problema, porém não é a mera questão genética-fenotípica, que ainda é mal explorada. O problema é que humanos não são mera manifestação do contínuo genes-ambiente, mas muitas das características que observamos em grupos de humanos são manifestação de genes, ambiente e cultura, combinados de forma fractalmente indissociável. Cultura é algo grande demais para que qualquer classificação de seres humanos seja indiferente dela; por isso, quando se fala de grupos de seres humanos com localização e características comuns se fala de etnia, um conceito que não se define pela genética e características físicas.

Há um motivo a mais por que eu seja a favor de abolir o conceito de "raças" de humano, e esse é um motivo que se pode dizer que seja de ordem religiosa. Se abandonamos o conceito de "raça" para humanos, é uma classificação a menos. Com efeito, é um grande erro que se comete toda vez que a interação entre pessoas acontece por intermédio de categorias, pois o que pode ser válido para um grupo não é necessariamente válido para o indivíduo daquele grupo. O que se aprende com o discordianismo é que categorias são ilusão e que o mundo é feito de indivíduos e coisas singulares. Para as outras pessoas, há o risco de, resistindo a sepultar o conceito de "raças" de humano, reforçar os esteriótipos que até hoje prejudicam indivíduos. Como eu já expliquei, "raça" de humano é um conceito tão falho que o pouco que se aproveita dele não compensa os problemas que cada esteriótipo associado a uma "raça" de humano causa. 

Enfim, é uma grande irresponsabilidade que um cientista dê alguma razão a um conceito tão abusado pelo povo cor-de-rosa.

Para você o foder e a chiclória patafísica Sempron(tm).

A 25 para São Quincas, 28.

Rev. Alexandr dell'A rAppia, Amordi, IIPJ, Oráculo de Glícão.







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