sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

[Devir 3] A traição do devir

Querida Papisa Mariana a Única, Rainha do Mundo,

Esteja sã.

O tanto que lhe escrevo sobre devir nunca foi para explicar-lhe o conceito, pois isso você descobriria por si mesma: devir é transformação. O que lhe escrevo é sobre a importância e as implicações do devir para o discordianismo. Por isso, mando-lhe antes a terceira parte, pois essa a parte da minha migma (relembre: dogma, regma, migma, fagma etc.) que você mais me inspirou.

Se o título do e-mail é "a traição do devir", isso é justamente por você não o trai, pois definir-se é trair o devir, e você me inspirou pelos aspectos em que não se define. Contudo não se poderia falar de fidelidade ao devir, pois fidelidade pressupõe constância, e não se poderia ter constância com a transformação ela mesma.

O que acontece é que todos nascemos indefinidos em tudo, com todas as potencialidades, e ao escolhermos um caminho, renunciamos a todos os outros e manter-se constante nessa renúncia é a traição do devir.

(A traição do devir é um conceito semelhante ao que Sartre chamou de má-fé. É a pessoa assumir uma representação de si daquilo que não é, como se um conjunto de atitudes pudesse defini-la, em detrimento de todas as possibilidades do devir que se lhe apresentam a cada momento. Definir-se seria negar essas possibilidades.)

Transitar entre as diversas transformações possíveis e experimentar todas as potencialidades de si, pelo bem da experimentação mesma, não para fazer um escolha e definir-se, isso é que é a liberdade, a liberdade de reinventar-se.

Escolhas definitivas são uma mera convenção que não corresponde à natureza, pois o natural é a transformação.

A individualidade de cada um é uma coleção de devires e a cada traição do devir perde-se um pouco de si.

A traição do devir é necessária para que haja uma ordem, para que uma pessoa seja constante e se saiba o que esperar dela. Não é algo que incrementa a individualidade, mas algo que se faz para os outros. As traições do devir destroem aos poucos a individualidade, um dos nossos (de nós, dos discordianos) principais valores e aquilo que consideramos uma das coisas mais preciosas.

Que você possa gozar de todos os seus devires, em plena individualidade.

Beijo-lhe a mão,

--   –><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Today is the 10th day to Lucianday, in the 30th yCWC.   <rindolf>  whoppix: what's up?   <whoppix>  rindolf, haskelling through the night.   <rindolf>  whoppix: ah.   <whoppix>  rindolf, im pretty much a beginner, tho.   <rindolf>  whoppix: yes, I learned Haskell back at the time.   <rindolf>  whoppix: I tried to write a log analyser in Haskell once.   <rindolf>  whoppix: it segfaulted.   <rindolf>  whoppix: a CL-one was much better.    <Caelum>  rindolf: haha   <whoppix>  sadness   <rindolf>  whoppix: then people showed me how to write it better.   <rindolf>  whoppix: but it segfaulted too.   <whoppix>  haha    <Caelum>  hahaha    <Zoffix>  lol   <rindolf>  whoppix: I gave up on using Haskell for production.    <Caelum>  rindolf: I've submitted your story to bash.org        -- Log Analyser in Haskell      -- #perl, Freenode  

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