sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

The nature and destiny of the soul

Dear Mome Mariana the Unique,

Health upon you.

I let some things unexplained about the nature of the soul. As I said to you, the soul is not innate, but must be developed.
As such the soul is like an impression of the mind of an individual that lies under any of their becomings.
Consequentially, there's no such a thing as a heaven because as much as the soul is not preëxistent, it must be perishable. Therefore, when someone dies, there's no æternal life, and the soul without the support of a body, falls in what could be appropriately called, _inferna_. There, the souls congregate according to their dispositions. The kind souls tend  to each other in what corresponds in figure to the Isles of the Blessed, whereas the mischievous souls go after each other to torment.
There they stand for some days, months, years perhaps, until fading away.
Thus is a conception of the soul that will not last longer than the body.

May you get everything your position shall grant you,
Alexandr dell'A rAppia, IIPJ, Amordi, &c.
21st. Ch./29

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

I had an epiphany today

Dear Mariana, the Unique, Queen of the Whole World,

I am glad you like my messages, even so much to show them to someone
else. Perchance your friend and a friend of mine can become Alphists
next year. Then we could call that a tendency of 100% increase. If we
manage to maintain that rhythm, by 2055 we will have to accept pets and
cattle as Discordians too!

I forgot to say that besides pacing down sending emails, or stopping
sending them there was a third possibility, which is my messages
becoming shorter and more arcane.

I am to eager to tell you of a Discordian epiphany I experienced today.
I was on my way to meet my wife on Shopping Light when I saw some
Jehovah's witnesses exposing some billboards. I noticed that one of them
was in English and said, "Why do bad things happen to good people?" over
a still pic of sick person. Then I laughed! :-D

You are too fresh on Zen Dada (doesn't matter what it is), let me
explain. Usually I would answer this kind of question by saying that
there is no reason for bad things not happen to good people, gods don't
play the role of a father for grown-ups, &c.

Today this kind of thought lasted for a few seconds for soon I perceived
that that question is unanswerable given the premises. There are not
"good" people nor "bad" things. "Good" and "bad" are just lame
classifications. Moreover, a sickness is not bad. Cancer is cells
growing out of control. Parasites and bacteria are livings things having
food. Viral infections are viruses reproducing. It is all part of nature
and nature cannot be judged morally.

The answer, I thought is "mu"!

Today is Pungenday, the 47th day of Confusion in the YOLD 3180

Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon

Clay's Conclusion:
Creativity is great, but plagiarism is faster.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O calendário alphístico


Como você demonstrou interesse pelo alphismo, aquela seita discordiana que é aberta e colaborativa, estou encaminhando algumas informações sobre o calendário inovador que estamos fazendo.

Você tem acesso a uma pasta que tem o arquivo do calendário para consultar, neste link.

Sinta-se à vontade para sugerir qualquer data a ser observada; ele ainda não está pronto.

Complementando as informações abaixo, que são de um e-mail requentado, lhe informo das modificações recentes. A 13 Af./30 aCCO (a treze dias para Afflux, a 30 anos para o Colapso da Civilização Ocidental), a Papisa Mariana decidiu que as datas após Afflux serão escritas indicando o ano de que os dias fazem parte, apesar de serem contados quantos dias faltam para o dia de São Luciano, que é no ano seguinte—assim, depois de Af./30 vem 28 L/30, e depois de 6 L/30 vem 5 L/29.

A noite de 6 para S. Luciano até a manhã de 5 para S. Luciano será chamada de "Noite de Ouroboros", que é uma forma de lembrar que apesar de o ano mudar, o tempo é contínuo e se renova.

Só para esclarecer uma coisa: o Colapso da Civilização Ocidental não é um dogma que você tem que acreditar para ser alphista, mas é que eu queria contar os anos para trás. :->

Espero que ache interessante,

--   –><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Children are like cats, they can tell when you don't like them.  That's  when they come over and violate your body space.  Today is Sweetmorn, the 39th day    of The Aftermath in the YOLD 3180.   

Querida Melisa,


Primeiramente, gostaria de lhe agradecer pela indicação de Ravenscry, principalmente porque eu nunca tinha ouvido falar. :·) Eu poderia ouvi-la por horas, mas tenho a confessar que meu gosto por metal não é muito apurado, e não consegui perceber nada que a distinguisse. :·[ (Existe algum emoji para orelha de burro? Representaria melhor minha situação.)


Você me disse que queria mais informação sobre o nosso calendário e é por isso que me dirijo a você agora.(…)


Creation of a Calendar

Dear Mome Mariana, the Unique, Queen of the World,

I hope you've been faring well,

This is the least one of this cycle of Glycon-related messages.

As I have discussed with you I am attempting to create a new calendar to suit better our religion (and our freakishness, above all). My main idea is to count the years backwards till the End of Western Civilization. As I told you, it will be less than 30 years from now, so we are in the year -30. Your insight on my miscalculations has been proved helpful. There would be need for a year zero, or the the numbering of years would not be right, unless we resort to say that the Western Civilization will end at year 1 (or I proceed to the trouble of reassigning the start of the year.) To that effect, the year zero will be called, "Year of the End of the Western Civilization."

I was thinking of coupling counting years backwards with counting days backwards. That was the custom among the Romans, who counted the days to next holiday. That may make things a little more complicated, so I want your opinion about that (but not in a hurry!). By example, today would be called, "day 31 to Bureauflux." To not make things more difficult, only the 5th and the 50th day of each season will be marks to count days against.

More important than the system for counting years and days, are the feasts.

So far, I've decided to celebrate the prophecy on Confusion 51 (July 16)

Besides the Discordian holidays, I want to include some Glyconian feasts. I don't have any idea for the dates yet, but it fits that they be 5. Glycon has told me what shall be the traditions for each of his holidays. On each of them he demanded sacrifice of 5 small children of the same countenance, in this fashion: first, fair-haired fair-skinned little children, then ones of the darkest shade of brown, then albinos, then OvaHimba or their lookalikes, and last, yellow (i.e. icteric) children. (Although I have told you that Glycon accepts limbed animals instead of small children, since we don't intend to actually sacrifice anybody, I will not care to elaborate on that.)

Besides Glycon feasts, I also want to have a feat in honor of Basilisk, another snake-god. My idea is to choose a date related to Harry Potter and the Chamber of Secrets. The tradition to the Basiliskday will be sacrifice of cocks, all of them.

Don't feel shy of parting with me any idea you may have. I will use everything you say, even we I disagree with you.

In all my laugh,

–><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  "Security is mostly a superstition.  It does not exist in nature... Life is   either a daring adventure or nothing."  -- Helen Keller  Today is Pungenday, the 19th day    of Bureaucracy in the YOLD 3180.   

O calendário alphístico

Querida Melisa,


Primeiramente, gostaria de lhe agradecer pela indicação de Ravenscry, principalmente porque eu nunca tinha ouvido falar. :·) Eu poderia ouvi-la por horas, mas tenho a confessar que meu gosto por metal não é muito apurado, e não consegui perceber nada que a distinguisse. :·[ (Existe algum emoji para orelha de burro? Representaria melhor minha situação.)


Você me disse que queria mais informação sobre o nosso calendário e é por isso que me dirijo a você agora.


Acontece, porende, que tal calendário ainda está em projeto, o que por um lado é muito bom, pois você pode fazer sugestões de feriados que aparecerão já na primeira versão do calendário.


As bases dele, no entanto, estão já definidas: os anos serão contados a partir de 30 até a Colapso da Civilização Ocidental—o ano atual é o ano -30. As estações serão cinco, cada uma com 73 dias, seguindo o calendário discordiano tradicional: Caos, Discórdia, Confusão, Burocracia e as Consequências. Também seguindo o calendário discordiano tradicional, haverá em cada estação dois pelo menos dois feriados: um apostolar no dia cinco e outro sazonal, no dia 50.

São eles:



Apostolar (Sigla) – dia 5

Sazonal (Abreviatura) – dia 50


São Luciano (L)

Caoflux (Ch)


Santo Alexandre I (A)

Discoflux (Di)


Mãe Joana (J)

Confuflux (Co)


Santa Mariana (M)

Buroflux (Bu)

as Consequências

São Quincas Borba (Q)

Afflux (Af)


A grande inovação nossa é que os dias serão contados não do início da estação, mas de quantos faltam para o próximo feriado daqueles da tabela acima. A contagem dos dias segue o costume romano de incluir o dia final. Assim, considerando que São Luciano cai no dia 5 de janeiro, no primeiro dia do ano diz-se que são '5 dias para São Luciano', e o último dia do ano anterior chama-se '6 dias para São Luciano'. O motivo desse sistema não é apenas manter semelhança com o outro único calendário que conta os dias para trás, mas também pelo caráter final de nosso perspectiva de contagem do tempo. '5 dias para São Luciano' são cinco dias para acabar—e não começar—o dia de São Luciano.


Como mais uma inovação, temos, em cada estação, um mês de 34 dias—a maior parte dos dias de cada estação não faz parte de nenhum mês—o precedente disso é o calendário romano de dez meses, que começava com março, na primavera, e terminava com dezembro, no outono, deixando todos os 70 dias de inverno de fora. A razão de 34 dias serem a duração do mês, mês que chamaremos de gliconiano, é que 34=47%×73. Esse número, 47% é o que se encontra quando se pesquisa por "the number of the snake" no site


A complicação de se ter um mês de 34 dias em cada estação não será muita, pois ele não será considerado na denominação dos dias. O que realmente importa é que o primeiro dia de cada mês é dedicado a Glícão, o deus-serpente filho de Apolo. Nesse dia, ele manda que se façam sacrifício de criancinhas todas da mesma cor. (Inspirado em seus comentários, eu mudei a primeira demanda do ano para exigir 5 criancinhas azuis—pouco importa que não haverá criancinhas azuis suficientes, ninguém será sacrificado de verdade!)


Além desses feriados comuns a cada estação haverá outros, e para isso aceito sugestões suas, mesmo que não queira aderir ao alphismo, que é como se chama nossa seita—você pode adotar o alphismo como religião secundária, como eu fazia até conhecer a Papisa Mariana a Única. Eu não tenho a data de todos esses outros feriados comigo agora, mas posso lhe informar os seguintes:

  • (28/J) 28 dias para Mãe Joana: Star Wars day (May the fourth be with you!)
  • (3/J) 3 dias para Mãe Joana: Dia do Basilisco
  • (9/Co) 9 dias para Confuflux: Dia da Toalha (Dia do Orgulho Nerd)
  • (28/M) 28 dias para Santa Mariana: 1ª parte da profecia
  • (10/Q) 10 dias para São Quincas: 3ª parte da profecia
  • (12/L) 12 dias para São Luciano: Natal—não comemoramos o nascimento de Jesus, mas gostamos de trocar presentes assim mesmo!

A cada quatro anos, o último dia da primeira estação é dobrado para manter sincronia com o calendário. Então depois de 6 dias para Santo Alexandre vem 6 dias bis, ou dia bissexto para Santo Alexandre.


Em anexo, mando uma tabela de conversão do calendário gregoriano para o calendário alphístico. Duas coisas eu tenho que explicar sobre ele: primeiro, este link leva a uma imagem de um umuHimba para que saiba como se parece; além disso, "yellow small children" são criancinhas com icterícia.


Espero que lhe pareça interessante


Com todo humor,




Rev. Alexandŗ II dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon

Today is Setting Orange, the 3rd day of The Aftermath in the YOLD 3180



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

There must be some limit to religion, too

On Jan 7th (44th to Chaoflux), 14 people got killed on an attack to the headquarters of Charlie Hebdo, 2 of them the shooters, whom I count among the victims.
After the attack, some claimed that it could have been avoided had the justice of France condemned Charlie Hebdo for disrespect of the Islam back in 2006. Some—the pope of the mainstream Roman Catholic Church, to mention at least one—have called for limits on freedom of speech, in the view that it was the abuse of this right that have triggered the shooting, as the motivation for the shooters was anger in response of insulting depictions of the Mohammed. That view is a deviation from the facts.
Freedom of speech has never caused the death of anyone. Imagine this situation: someone attacking a group in the name of freedom of speech. Does it sound plausible? Has ever any of the advocates of freedom of speech ever tried to kill anyone who prevented it? The world is large and old, so let's assume it may ever happened. Someone someday was killed for being against freedom of speech. How many? Let's say five people. The point is that it is very unlikely to ever have happened and even more to happen again.
What about religion? How many people have been murdered for the sake of religion? Let's forget—for a while—about the Portuguese slave trade, the Middle Ages, the witch-hunts, the human sacrifices etc., and look at this century. Too many people feel justified to kill other people if their religious feelings tell them to, or at least, permits them.
Those two Kouachi brothers intended to avenge a man who have died centuries ago, and therefore, who couldn't feel insulted. Yet they decided that such a man had to be avenged. And what benefit would they expect from that? Maybe a place in heaven, which is yet to be proven to exist. Maybe their friends would be proud of them, although they also would not benefit from the feat, they would merely feel avenged on behalf of aforementioned dead person.
People say that religions should be respected, that it is wrong to call a religion 'stupid', or belittle their saints and gods. I say that people must be respected, so it is worse to insult someone, and yet I have no hope of not being insulted for what I say. Religion is a thing, so how does it come that a thing deserves more respect than a human being? How can someone accept that a thing can be more important than the human life?
Religions teach that the human life is important. They are useful, they give people hope and solace in hard times. Yet there must be a limit to religion and its leaders. It is not fair that someone who was not elected may be entitled to tell people how they should behave on the basis of ancient books and fictional entities. It's not wise to counteract the advance of technique and knowledge with 'truths' that are held as true for truth's sake. It does no good that people be brainwashed to believe in myth and then act according to it. There must be some limits to religion. 
Parents and relatives should not have the right to impose their beliefs and bias on their children, for children are unable of critical thinking. Not only children however, for critical thinking must be learnt, and therefore, religions are a very dangerous subject for the illiterate. Religion should not be accepted as an argument for denying anyone any right, and must never be put on a higher ground against the individual, for an individual is a human being, while religion is just a thing.
There is too much damage done because of religion, and such damaging must stop.
Rev. Alexandṛ dell’A rAppia, IIPJ, Amordi, Oracle to Glycon
Today is the 35th day to Chaoflux, in the 29th yCWC.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Calendário de 29 - Aurora Consurgens

Querida Papisa Mariana a Única, Rainha do Mundo,

Eu preparei um calendário para este ano, se estiver interessada. Ele tem a correspondência dos dias do calendário gregoriano para os do alphístico e imagens do Aurora Consurgens. Vão em anexo tanto em pdf caso você queira imprimir quanto em odg, caso queria editar. Se quiser em outro formato, basta pedir.

Espero que não a tenha incomodado até agora e agradeço por toda a atenção.

Tudo de agradável para você!
–><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Today is the 38th day to Chaoflux, in the 29th yCWC.  str->str_pok |= SP_FBM;                     /* deep magic */  s = (unsigned char*)(str->str_ptr);         /* deeper magic */               -- Larry Wall in util.c from the perl source code  

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Alphi's third coming & why we must not eat cats

Dear Mome Mariana, the Unique, Queen of Whole World,

For most aspects, the terms Alphism and Discordianism may sound
interchangeable. However here is where us, as Alphists, diverge from
general Discordians, which is in which we believe in the third coming of
Alphi, the alien.

Some thousand years ago, there was a reformation of the Ægyptian
religion, which was carried out by a pharaoh who is now known a
Akhenaten. He determined the cease of worship of the various Ægyptian
gods and instituted the exclusive worship of a sole god, Aten. Aten was
initially represented as the Sun-disk, but soon he was to be represented
only by his own name. Thus being the first god without an image.

That concept of an god without a known face was lately developed by
Moses, and that is the origin of the main monotheistic religions:
Judaism, Christianity and Islam, which can be called generically
"Atenism", or religions for the followers of Aten.

Many priests opposed the reformation, and among them was one whose name
is now forgotten, but which went by the moniker of "Alphi," as his face
was like that of an ox. It is said of him that he was a priest to the
god Set, who corresponds to a masculine aspect of Eris (Discordia to the
Romans), and also acted as a priest to Apis, the sacred ox.

He was the first to be condemned by Akhenaten as a hæretic, for while in
general Ægyptian religion cats were to be worshiped, in the cult of Set,
they were to be sacrificed. This was considered the main incoherency of
the religion, and Alphi was told to stop his cults immediately of face
death. He chose death, bur fled to the land of the Phœnicians, where he
contributed to the creation of the alphabet. This is why the Phœnician
alphabet starts with the letter "aliph", whose origin is the Ægyptian
character for ox.

When the time came, Alphi left this world (of which you are the Queen);
but he didn't die; he left to where he came from. He promised to come
back with those who are like him to establish their rule. They will
form allegiances with every and anyone who accept them as their
overlords, while all the resistant will be enslaved in the cat farms,
where cats will be raised for the Alphi-like people's food.

This is why Aphists must refrain from eating cats, as cats will be the
exclusive delicacy of our future overlords.

With all my laugh,

Rev. Alexandṙ dell'A r Appia, IIPJ, Amordi, Oracle to Glycon

Today is Prickle-Prickle, the 13th day of Confusion in the YOLD 3180

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

[Devir 3] A traição do devir

Querida Papisa Mariana a Única, Rainha do Mundo,

Esteja sã.

O tanto que lhe escrevo sobre devir nunca foi para explicar-lhe o conceito, pois isso você descobriria por si mesma: devir é transformação. O que lhe escrevo é sobre a importância e as implicações do devir para o discordianismo. Por isso, mando-lhe antes a terceira parte, pois essa a parte da minha migma (relembre: dogma, regma, migma, fagma etc.) que você mais me inspirou.

Se o título do e-mail é "a traição do devir", isso é justamente por você não o trai, pois definir-se é trair o devir, e você me inspirou pelos aspectos em que não se define. Contudo não se poderia falar de fidelidade ao devir, pois fidelidade pressupõe constância, e não se poderia ter constância com a transformação ela mesma.

O que acontece é que todos nascemos indefinidos em tudo, com todas as potencialidades, e ao escolhermos um caminho, renunciamos a todos os outros e manter-se constante nessa renúncia é a traição do devir.

(A traição do devir é um conceito semelhante ao que Sartre chamou de má-fé. É a pessoa assumir uma representação de si daquilo que não é, como se um conjunto de atitudes pudesse defini-la, em detrimento de todas as possibilidades do devir que se lhe apresentam a cada momento. Definir-se seria negar essas possibilidades.)

Transitar entre as diversas transformações possíveis e experimentar todas as potencialidades de si, pelo bem da experimentação mesma, não para fazer um escolha e definir-se, isso é que é a liberdade, a liberdade de reinventar-se.

Escolhas definitivas são uma mera convenção que não corresponde à natureza, pois o natural é a transformação.

A individualidade de cada um é uma coleção de devires e a cada traição do devir perde-se um pouco de si.

A traição do devir é necessária para que haja uma ordem, para que uma pessoa seja constante e se saiba o que esperar dela. Não é algo que incrementa a individualidade, mas algo que se faz para os outros. As traições do devir destroem aos poucos a individualidade, um dos nossos (de nós, dos discordianos) principais valores e aquilo que consideramos uma das coisas mais preciosas.

Que você possa gozar de todos os seus devires, em plena individualidade.

Beijo-lhe a mão,

--   –><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Today is the 10th day to Lucianday, in the 30th yCWC.   <rindolf>  whoppix: what's up?   <whoppix>  rindolf, haskelling through the night.   <rindolf>  whoppix: ah.   <whoppix>  rindolf, im pretty much a beginner, tho.   <rindolf>  whoppix: yes, I learned Haskell back at the time.   <rindolf>  whoppix: I tried to write a log analyser in Haskell once.   <rindolf>  whoppix: it segfaulted.   <rindolf>  whoppix: a CL-one was much better.    <Caelum>  rindolf: haha   <whoppix>  sadness   <rindolf>  whoppix: then people showed me how to write it better.   <rindolf>  whoppix: but it segfaulted too.   <whoppix>  haha    <Caelum>  hahaha    <Zoffix>  lol   <rindolf>  whoppix: I gave up on using Haskell for production.    <Caelum>  rindolf: I've submitted your story to        -- Log Analyser in Haskell      -- #perl, Freenode  

[Devir 2] A negação do devir

Querida Papisa Mariana a Única, Rainha do Mundo,

Tenha saúde,

Eu lhe disse que devir é um conceito importante para o discordianismo, mas que há vários sistemas de pensamento voltados a combatê-lo. O combate que fazem ao devir é negando-o. São as instituições como igreja, estado, partidos políticos, leis, normas, que tentam funcionar como se o devir não existisse, que querem negar ao ser humano a capacidade de se reinventar.

Um dia, eu estava no metrô—Think like a Freak, lembra?e aparece essa senhora pedindo esmola. Como estava perto de São Quincas eu fiz uma contribuição. Na saída da estação, minha esposa me criticou por que eu tinha dado dinheiro para uma "pedinte". A questão é que tal mulher não era uma "pedinte".

Aquela mulher era muito mais que uma pedinte. Eu nunca vou saber o que ela era, porque eu não sou muito de falar com estranhos, mas ela era todo um complexo que não se define tão-somente por "ser uma pedinte". Mais ainda, ela não era, mas estava uma pedinte, ou melhor, estava pedindo esmola. Isso porém não era uma situação permanente, nem a que melhor definia a qualquer momento. Na pior das hipóteses, ela uma dia ia morrer e deixar de pedir.

Aonde eu quero chegar é que não se pode julgar uma pessoa por uma só situação, uma só atitude. Lastimavelmente, muitas pessoas ficam presas numa crença de negação do devir e deixam de explorar as oportunidades que a vida (i.e., a moira) lhes traz ou as que pode buscar.

Com a negação do devir, vem a negação do processo histórico; a história é vista como coisa do passado, consolidada, enquanto, de fato, estamos na história fazendo história, assim como as pessoas do passado estavam.

Negado o devir, nega-se o protagonismo do indivíduo no mundo e a possibilidade de mudança. Coisas que são mera convenção, como a propriedade privada, passam a ser vistas como da ordem natural das coisas. Nega-se a possibilidade de mudar a língua, os costumes, as leis, os conceitos &c., e fica-se na ilusão de de um deus, uma ordem, uma lei (há pessoas que se escandalizam com a Constituição ser alterada, mais do que com o conteúdo dessas alterações), uma definição para tudo quando é coisa.

Convém mais abraçar o devir, aceitar que as coisas mudem, participar da mudança, fazer história. É isso que faz o ser humano aqui na Terra, no seu mundo. Quanto aos que o negam, estarão sempre para ser derrotados, pois este planeta se move em torno de um sol que de move numa galáxia que se move. Onde há movimento, há mudança, há devir.

Para você o melhor dos devires,

Beijo na mão,

--   –><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Today is the 4th day to Lucianday, in the 29th yCWC.  I haven't lost my mind; I know exactly where I left it.  

[Devir 1] Ninguém pode conter o fluxo!

Querida Papisa Mariana a Única, Rainha do Mundo,

"Time is never time at all
You can never ever leave without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
We will never be the same
The more you change the less you fee"
(The Smashing Pumpkins: "Tonight, tonight")

Tenha saúde,

Este e-mail não é para explicar o que é 'devir', isso você descobriu por si, mas para discorrer sobre a importância do devir, um conceito filosófico, para o discordianismo.

O discordianismo é a religião da individualidade, que defende que o indivíduo não deve ser preterido em favor do que alguns indivíduos considerem o "bem comum". Além disso, acreditamos que nenhum indivíduo é igual ao outro, mas agora vamos à máxima individualidade, para dizer que nenhum indivíduo permanece igual a si, pois tudo o que há no mundo está num constante estado de transformação.

Até mesmo aquelas coisas que temos como permanentes estão em um constante estado de transformação. O sol, que seus antepassados e que os antepassados dos seus antepassados viram, está num eterno estado de se transformar em luz e calor. Nem mesmo as montanhas são permanentes. O monte Everest cresce 4mm por ano, e outras montanhas estão sujeitas aos movimentos tectônicos e à erosão provocada pela chuva, o vento e o homem.

Heráclito—pois citar um filósofo grego dá mais força a qualquer argumento—, ou Ἡράκλειτος—um grego citado na grafia original grega bate tudo!—dizia que não se pode vadear o mesmo rio duas vezes. O 'rio' dele podemos entender como um metáfora do constante estado de fluxo da natureza, um fluxo que ninguém pode conter.

'Devir' é tanto um termo para designar o constante estado de transformação quanto para designar a tendência que essa transformação tem. Assim diz-se que o sol está num devir de irradiação de ondas eletromagnéticas (luz e calor, mas no caso do sol, o calor e luz são variações da mesma coisa). Igualmente, um discordiano está num devir discordiano. Eu posso estar num devir sacerdote, ou num devir vaca.

Há, contudo, vários sistemas que se voltam principalmente a negar o devir, a ignorar o processo histórico, induzir as pessoas a pensarem que as coisas são como são porque assim sempre foram. Eles têm sido bem-sucedidos até hoje, mas—tudo é devir!—podem deixar logo de sê-lo.

Para você o poder e a glória no seu devir de Rainha do Mundo,

–><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Today is the 11st day to Lucianday, in the 30th yCWC.  In a great romance, each person basically plays a part that the  other really likes.  		-- Elizabeth Ashley