quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Chuvas em São Paulo

Nesse excesso de chuvas em São Paulo, culpam o prefeito por não prevenir as enchentes. Isso é bom… Significa que consideram “prefeito” não mais uma ocupação de uma pessoa, mas uma posição num sistema, de modo que o prefeito atual pode ser culpado por tudo o que os anteriores fizeram. Não faz pouco tempo, o único título com essa qualidade era o papa.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A catarse de Avatar

À parte os efeitos especiais e a computação gráfica que, hoje em dia, impressionam mais pela qualidade que pela novidade, Avatar é uma tragédia que, pela concepção de Aristóteles, oferece uma catarse, ou purificação, na tradução latina.
O que ocorre em Avatar é que vários personagens na história carregam consigo um estado de ânimo quase puro, distante da realidade. Avatar ampliou um dos expedientes da tragédia, que é o distanciamento do expectador. Não ocorre nos montes ou nas nuvens, mas num satélite a uma distância grande demais para as mentes humanas. Lá pode o executivo de uma procuração ser totalmente desejoso de lucros; lá pode um Coronel Quaritch ser todo desejo de vingança e vitória, disposto a lutar até o ultimo ar nos pulmões; lá pode o avatar de Jake Sully ser uma perfeita representação da tábula rasa.
Mas se a catarse está em presenciar algo além do que vocês têm em vida, e que resolva seus conflitos, a verdadeira catarse de Jake Sully não está em que ele possa se libertar do corpo e da cultura humana pela sua atitude de tábula rasa. O que dá um efeito de “purificação” é ele poder escolher e voltar-se contra a corporação para a qual trabalha, coisa distante de muitos de vocês.
Muitos prefeririam escolher uma vida simples, no campo, longe de toda “complicação” da cidade, complicação essa que para muitos de vocês trata-se de, por necessidade, ou por impotência ter que colaborar para os problemas dessa mesma cidade. Tudo que o que apressa, tudo o que polui, tudo o que deprime, tudo o que irrita outras pessoas torna a vida de vocês mais miserável; contudo, por ordem das corporações, vocês fazem. Um empregado sabem que, se não obedecer, isso será sua ruína; não tem pra onde ir, é inútil se opor, pois sabe que se seguir o que acha correto, vai ficar fora do Sistema, e haverá outro que lhe ocupe o lugar para continuar os projetos nada humanistas dos mandantes.
A pessoa que se der conta disso sairá chorando da sala de exibição, por ver que alguém, ainda que ficcional pôde fazer o que não está a seu alcance. Alguém que pôde escapar das prisões das convenções sociais e das necessidades humanas que os prende a tudo isso.
Avatar é mais que um novo O Último Samurai com computação gráfica. É um filme com história, e, mesmo com o final que tem, uma tragédia pelo efeito que provoca.