domingo, 1 de novembro de 2009

O “golpe” em Honduras à voz de um Oráculo

Quando soube das circunstâncias daquilo que chamam de "golpe" em Honduras (que na nossa língua haveria de se chamar “Funduras”), lembrei de uma lei que havia em algumas cidades da antiga Grécia, a qual lei reservava uma recompensa a quem matasse um tirano.
Não posso dizer que Zelaya fosse um tirano, pois nada sei sobre como governava. O que sei é que queria alterar a Constituição do país para se reeleger, o que não se admite na própria Constituição. Da mesma maneira que em algumas antigas cidades da Grécia não era crime, mas heroísmo, matar um tirano, depor Zelaya não foi um golpe, mas antes obedecer à Lei, pois na mesma Constituição consta que o presidente que tentasse alterá-la pra se reeleger haveria que ser deposto, o que fez obedientemente a Suprema Corte do País.
Não digo que Micheletti tenha sido um herói por depor Zelaya (me perdoe a violência de pensamento), pois não depôs ninguém, mas apenas foi escolhido para governar o país após o presidente ter sido deposto. E como governante, havia que fazer valer a lei, assim como o governante da cidade grega que dava um prêmio a quem tivesse matado um tirano, em vez de prendê-lo por crime de lesa-majestade. Quem desafiava a lei era o mesmo Zelaya, que, deposto, não saía do palácio presidencial. Teve de chamar o exército, cuja função na mesma Constituição é de defendê-la para tirá-lo.
De fato não há muito que falar em “golpe” em Honduras (cujo nome em nossa língua houvera de ser “Funduras”), a não ser que a’mitamos que tenha sido um ‘golpe constitucional’, já que, com exceção do banimento de Zelaya e de tudo que ele fez depois inclusive se hospedar na embaixada brasileira, nada há que não houvesse sido previsto pela Constituição.

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