domingo, 25 de junho de 2017

Tecnologia Enviesada


"Then if you got it, you don't want it
Seems to be the rule of thumb
Don't be tricked by what you see
You got two ways to go"

"Freedom of choice," Devo

Espero que esteja bem. Eu estou.

Desta vez eu quero lhe falar de uma assunto que não é exatamente discordiano, mas é um conceito que eu aprendi no livro This will make you smarter, que eu acho que você se beneficiaria de entender também.

O caso é que toda forma de tecnologia não deve ser simplesmente vista com como neutra. Tecnologia é também parte da cultura, é influenciada por ela e a influencia.

Primeiramente, considere o efeito histórico que certas tecnologias têm na formação da nossa sociedade. Se não existem os avanços tecnológicos de que os portugueses dispunham na época das grandes navegações, este país sequer desistia. A época das grandes navegações é possível considerar como o início da globalização, porque foi a partir de então que as histórias de todos os continentes habitáveis passou a convergir. A caravela era, de certa forma uma ferramenta—talvez abusando um pouco do sentido dessa palavra—, mas era uma ferramenta criada com uma intenção, dentro de um contexto histórico e cultural que levou vários homens a viverem—muitos, também, morrerem—pela finalidade que tal ferramenta tinha. A caravela foi feita para navegar e os homens que trabalhavam nela a usavam de acordo com esse propósito.

Vou lhe dar mais um argumento: considere um revólver. É uma arma. Alguns dos defensores do direito de ter armas insistem que é apenas uma ferramenta—você viu isso num dos e-mail que eu lhe mandei. Isso é contudo, muito ingênuo. Um revólver existe para o propósito de ferir. É um meio que cria uma potencialidade. A ideia de ferir alguém está impregnada em qualquer arma.

Há mais de um ano e meio prometi para uma prima—por acaso aquela que teve câncer—que lhe enviaria um soco inglês, porque eu lhe mencionei esse objeto e ela não sabia o que era. Então, eu fui até a Galeria do Rock e comprei um que era disfarçado de fivela—na loja me disseram que não encontraria de outra maneira, pois essa arma é proibida. Alguns dias mais tarde contei para minha mãe e ela ficou chocada. Eu já tinha lido o capítulo do livro sobre tecnologia enviesada, e, juntando isso com o choque da minha mãe, eu não consegui dormir uma noite pensando nas consequências de minha prima andando por aí com uma arma branca—ela poderia machucar alguém, ela poderia ser presa, alguém poderia usar aquela arma contra ela. Decidi não mandar-lhe aquela coisa e acho que fiz muito bem. (Dependendo do que você já tiver lido de Think like a freak, você já sabe porque estou contando esta estória. ;-) )

Agora, o último exemplo: a timeline do Facebook®. O Facebook® implantou a timeline depois de fazer vários testes e constatar que essa interface mudava a maneira como as pessoas interagiam com a plataforma. Só com uma mudança de comportamento que gerasse mais dados para empresa, dados esses que são o produto que ela vende, haveria justificativa para implantar a timeline. Não se trata de um mera questão de leiaute. A timeline mudou a maneira de as pessoas usarem o Facebook® e isso era interessante para os objetivos da empresa.

Tudo isso lhe digo para que você entenda uma coisa que acontece no mundo. Uma ferramenta—e agora estou chamando quase tudo de "ferramenta"—dificilmente pode ser usada para outra coisa que não o fim para que se destina. Você pode querer usá-la como quiser, mas a não ser que faça isso conscientemente, você se deixa levar pelos propósitos definidos por seus criadores. A única outra opção é não usar.

Você pode consultar o texto onde eu aprendi esse conceito no site do Edge. Eu particularmente acho que termo "tecnologia enviesada" fácil de entender, por isso me foquei em convencê-la de que isso existe.

Espero que tenha gostado deste e-mail.

Beijinhos e abbracci,

--   =======================  Alexandṛ dell'A rAppia  <<<    Surely there's a better way, no?    >>>    Ask the maintainers of M::B, EU::MM and M::I to all export a `halt` function  that does just this? That would also provide a convenient spot in the  respective modules' docs for related CPAN Testers arcana, so people wouldn't  have to stumble onto a wiki page in the bottom of a locked cabinet stuck in a  disused lavatory with a sign on the door saying "beware the leopard" in order  to learn these trivia.        -- Aristotle Pagaltzis      -- Re: cpantesters - why exit(0)? ( http://www.nntp.perl.org/group/perl.qa/2008/09/msg11255.html )  Today is Sweetmorn, the 14th day    of The Aftermath in the YOLD 3180.   

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Os ancestrais de Alphi e a criação da espécie humana

Espero que tenha notado que há coisas não explicada sobre a origem da espécie humana.

Como você deve saber, de acordo com Charles Darwin, descendemos dos macacos (na verdade ele nunca disse isso, mas é mais fácil seguir o senso comum do que fazer pesquisa). Contudo há algumas características humanas que a teoria mais aceita não explica. Especialmente, por que não temos pelos.

Há várias teorias que explicam isso, mas nenhumas delas é conclusiva. Mas livre-se por um momento de suas preconcepções e me acompanhe na minha linha de raciocínio. Você deve ter notado que alguns seres humanos são como porcos, principalmente machistas, a maioria dos políticos e alguns policiais enviados para reprimir manifestações. Se você já assistiu uma série médica, deve ter se perguntado como as cenas de cirurgia são feitas. A resposta é que usam porcos, pois os órgãos internos dos porcos são semelhantes aos humanos.

Um cientista já percebeu isso. (Mais informação aqui.) Contudo, há algo que ele não pôde explicar. Como poderiam cruzar um porco e um chimpanzé?

A resposta é um dos segredos do Alphismo.

Há um milhão de anos, ancestrais de Alphi estiveram na Terra. Aqueles que são como Alphi são uma civilização em constante expansão, espalhados pela galáxia. Eles têm uma vida longa (considere que o próprio Alphi viveu no antigo Egypto e estamos ainda esperando a segunda vinda dele). Eles são capazes de uma antecipação no planejamento muito além da nossa compreensão. Há um milhão de anos, eles chegaram à Terra enquanto buscavam um planeta para colonizar que fosse capaz de sustentar vida inteligente, TV a cabo e gatos. Depois de várias experiências, conseguiram criar um híbrido de porcos e macacos, que seriam capazes de criar gatos. Eles voltariam no futuro para se tornarem senhores desses híbridos, e é disso é o que Alphi estava cuidando no tempo em que vivou no Egypto.

Ele não conseguiu daquela vez, mas ele voltará atrás dos gatos a que faz jus.

--   –><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Today is the 14th day to Discoflux, in the 27th yCWC.  "On two occasions I have been asked [by members of Parliament!], 'Pray, Mr.   Babbage, if you put into the machine wrong figures, will the right answers  come out?'  I am not able rightly to apprehend the kind of confusion of ideas   that could provoke such a question."  -- Charles Babbage  

quarta-feira, 22 de março de 2017

O que é Alphismo

Querida Papisa Mariana a Única, Rainha do Mundo,

&

Querida senhora Graziela, que ainda não tem títulos, nem afiliações expressas,

Neste e-mail eu explico a vocês o que é alphismo e como ele fica no discordianismo.

Alphismo é uma seita discordiana sincrética cujos seguidores acreditam na segunda vida de Alphi (1), o alienígena, que virá com outros como ele para introduzir uma nova ordem mundial, que acolherá todos os humanos que dela quiserem participar, mas colocará os opositores nas fazendas de gato de corte. Gato é comida reservada àqueles que são como Alphi, e conseguintemente estamos proibidos de comer gato, ou qualquer carne que se suspeite que seja de gato.

Como religião sincrética, o Alphismo combina discordianismo com outras religiões, seitas e filosofias, principalmente, gliconismo (mormente pelas previsões e inspiração para o calendário), Church of Subgenius, humanitismo, religião da Internet e neodarwinismo.

O alphismo deriva de várias fontes; as principais até agora têm sido:

Outras fontes que também têm sido usadas são (lista não extensiva):

  • Mitologia, uma série de três volumes sobre mitologia grega editada por Victor Civita
  • The Ultimate Hichhikers' Guide to the Galaxy, que contém a resposta definitiva para a vida, o universo e tudo mais
  • Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado da Assis, onde é introduzido o conceito de humanitas, ou humanitismo
  • Três filmes de Monty Python: The Life of Brian, The Holy Grail e, especialmente, The Meaning of Life
  • As obras de H. G. Lovecraft
  • As Profecias de Nostradamus
  • Ficaria agradecido se alguma de vocês se dispusesse a ler A Doutrina Secreta, da Mme. Blavastiky, para eu possa pô-lo nesta lista

O alphismo ainda está no começo, e por isso só temos posições de sacerdotes; então é muito importante que a Graziela apresente seus títulos.

Felicidades,


1 - É muito importante que o nome Alphi seja escrito sempre com ph e que o i final seja sempre pronunciado, para evitar complicações legais.
--   –><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Taxes are going up so fast, the government is likely to price itself  out of the market.  Today is Boomtime, the 38th day    of Bureaucracy in the YOLD 3180.   	

quarta-feira, 8 de março de 2017

The different approaches of our sexist society towards men's and women's hormones

Dear Mome Mariana, the Unique, Queen of the World,

Yesterday, after listening to this TED talk, "The good news about PMS" (in short: for 92% of women, their mood variation is more predictable from day of week than time of month), which among other things brought the tale of how our society paint women as emotionally unstable because of their hormones, I came to remember this piece of ancient news (I could not find a link) about how a vacuum tube computer operated by men would malfunctions when a women in mini-skirt entered the room—it was because of a raising in the temperature.

Then I came to realize that while men's susceptibility to sexual hormones is treated as natural, the women's susceptibility to their hormones is treated as if it was a weakness. Moreover, it seems to be considered that only women are influenced by their hormones, while men's sexual arousal, which is noting less than hormonal, seems to be more common, perhaps because in this society men's sexuality is cherished and therefore it would never be called 'hormonal' because is not considered as a problem.

If I am still talking about hormone related woman's behavior, despite having asserted that most women are not affected by PMS it is because I think that while PMS is the end of a spectrum, all human beings are affect by hormones. However, there is no studies about the hormone related men's behavior. Perhaps it is because most such behavior in men corresponds to sexual arousal, which leads to the conclusion that man are more susceptible to their hormones than women. And yet, it is only women's hormones that seem to be talked about. I wonder what is the end of spectrum of hormone related men's behavior—and can only think about criminal acts— which could be prevented if male hormonal imbalance were regularly assessed.

Sorry, realizing so much sexism so clearly, yet so overlooked, makes me feel a bit— uncomfortable.

Yours, faithfully

--   –><–  Rev. Alexandṛ dell'A r Appia, Amordi, IIPJ, Oracle to Glycon  Today is the 24th day to Discoflux, in the 29th yCWC.  Q:	What's yellow, and equivalent to the Axiom of Choice?  A:	Zorn's Lemon.  

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Reforma do Zodíaco


Por ordem de Sua Divindade, Glícão, terceiro no sangue de Zeus e antigo deus da medicina, é meu dever anunciar o novo Zodíaco.

Isso é necessário porque os humanos desobedecem os deuses ao não incluir Ofiúco no zodíaco. A constelação de Ofiúco está na faixa do Zodíaco, pois os deuses fizeram treze signos, mas os astrólogos desatentos e ímpios só contam doze.

Glícão, entre todos os deuses, tomou a iniciativa de corrigir os humanos porque Ofiúco representa um homem segurando uma cobra e a Glícão agrada tudo que tem a ver com cobras.

Sob sua divina autoridade, eu, Alexandṙ II dell'A r Appia, seu oráculo, decreto que o velho Zodíaco já era para toda a humanidade. O novo, com treze signos é o que vale, segundo os estes requisitos:
  1. os signos serão treze;
  2. a posição aparente do sol na eclíptica deverá ser o único critério para determinar o signo de cada um;
  3. consequentemente, os limites entre as constelações como distinguidos pela a União Astronômica Internacional deverá ser a referência para assinalar períodos do ano para cada signo;
  4. finalmente, a duração de cada signo no calendário não será a mesma.
De acordo com essas regras, os signos para esta época (1707–2043 AD, ou de 2873 YOLD a 1 aCCO) são estes:

Signo Início (Gregoriano) Início (POEE) Início (Alphístico)
Áries
19/abril
36/Discordia
15 para Discordia
Touro
14/maio
61/Discordia
18 para Mãe Joana
Gêmeos
20/junho
25/Confusion
26 para Confuflux
Câncer
21/julho
56/Confusion
23 para Santa Mariana
Leão
10/agosto
3/Bureaucracy
3 para Santa Mariana
Virgem
19/setembro
50/Bureaucracy
11 para Bureauflux
Libra
31/outubro
12/Aftermath
39 para Afflux
Escorpião
23/novembro
35/Aftermath
16 para Afflux
Ofiúco
30/novembro
42/Aftermath
9 para Afflux
Sagitário
18/dezembro
60/Aftermath
19 para São Luciano
Capricórnio
19/janeiro
19/Chaos
32 para Chaoflux
Aquário
16/fevereiro
47/Chaos
4 para Chaoflux
Peixes
12/março
71/Chaos
8 para Santo Alexandre
Eu incluí as datas no calendário discordiano da POEE como referência, pois a reforma afeta também as pessoas nascidas antes dela, e qualquer data antes de 30 aCCO não existe no calendário Alphísco.

Eu demando que qualquer pessoa que leia esta mensagem passe a se designar como sendo do signo assinalado pela nova regra, ou Glícão irá para onde essa pessoa more e comerá as criancinhas e filhotes de estimação, e se ele não encontrar criancinhas ou as crianças não forem tão pequenas, ou os filhotes forem cobras ou gatinhos (que ele não come, cachorros estão totalmente fora de questão), ele ficará muito irritado.

--≃=========˙<~

Salve Eris! Louve Glícão! Fodam-se os Názis! 


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Quanto de livre há no livre arbítrio?

Como você experiencia “livre” arbítrio, ou liberdade, em geral? A maioria das pessoas fala sobre “livre” arbítrio, ignorando o contexto em que a pessoa vive quando vai exercê-lo. Mas “livre” arbítrio sempre tem muitas limitações.

Antes de tudo, dispensemos a separação entre mente e corpo. É uma dicotomia equivocada. A mente controla o que o corpo faz; o contato que a mente tem com o mundo é mediado pelo corpo, mas não é só isso. O que acontece com o corpo afeta a mente. O cérebro é mais um órgão, como o coração. Há cientistas discutindo como as bactérias no intestino nos afeta os sentimento e ideias. Pessoas têm hormônios, e hormônios as faz agir de uma maneira que é tanto “irracional” quanto previsível. Pessoas sentem dor, fome, frio calor &c. e tudo, até as cores do ambiente lhes afeta o que e como pensam, como experienciam o mundo. E ainda existe o muito que eu não vou dizer sobre instinto.

Não é apenas o que toca o corpo de alguém que lhe afeta as escolhas. Primeiro eu mencionei o ambiente como coisa física e imediata, mas há que considerar o ambiente geográfico, sociológico e histórico. A maior limitação naquilo que alguém escolhe são as opções disponíveis. Em vez de ler esta postagem que você escolheu, você poderia ler algo de Slavoj Žižek, mas isso só seria possível se você soubesse dele. Quando tudo o que uma pessoa conhece é guerra e raiva e abuso e morte, quem poderá condená-la por tornar-se um guerreiro sanguinário? Nossas escolhas não apenas afetam nosso passado como o que (podemos) esperar para o futuro. E se os que vivem de um lado esperam só mais abuso, arbitrariedade, desdém, não há como julgar-los por sentir raiva. E os do outro lado sabe disso; por isso vivem com medo e agem por esse medo. O que eu digo não os justifica, apenas os explica. Quando alguém vive numa situação precária, não pode simplesmente partir; não tem para onde ir.

Agora, vamos deixar esses extremos de lado, vamos pensar como pessoas como você, que não vivem como medo, na guerra, na penúria. Vocês podem se cuidar, mas dependem de outros. Ninguém é completamente independente. E o que alguém pode dizer para alguém de que se espera não ouvir? Falar mais alto, fazer algo para conseguir atenção, quebrar coisas, parar o trânsito, ficar de greve. Se alguém comete um crime por causa da situação, não ouse dizer que não merece as consequências de seus atos, pois escolheu o que fez. Com “livre” arbítrio, ainda que não muito livre; pense sobre isso.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Uma solução para este país

Glícão oferece uma solução para os grandes problemas deste país. É mister parar de seguir Javé e servir a Glícão, pois que solução que Javé oferece? Javé deixou que sacrificassem o próprio filho, a via de Javé é o sacrifício de si. A proposta de Glícão é que sacrifiquemos uns os outros, os outros é que sejam sacrificados.

Glícão oferece uma solução para o Brasil, uma solução para um Brasil rico, com que muito lucraremos. Que sacrifiquemos todas as almas dos nossos índios (principalmente das criancinhas) a Glícão.

Deveríamos seguir o exemplo dos bandeirantes e abandonar o exemplo dos Jesuítas. Esses seguidores de Javé buscavam salvar as almas dos índios, o que era um erro. Eles são a fonte de toda pobreza nacional.

Os bandeirantes seguiam Glícão, esse era o sentido da concepção original do Monumento às Bandeiras. Aquela coisa em cima da qual os bandeirantes e os índios estão representa o lombo de Glícão. O projeto inicial incluía também a cabeça.


Explicação do monumento às bandeiras, mostrando a cabeça de Glícão e a cerimônia de sacrifício.
Concepção original do Monumento às Bandeiras.
Há que sacrificar as almas de todos os índios, pois eles são entrave ao progresso. 

Há que abandonar o ensinamento cristão do sacrifício de si. O que vale é a via de Glícão, o sacrifício do outro.